Comparação: será que nossa referência está correta?

Uma situação corriqueira desde sempre na nossa vida é a comparação. Nós medimos tudo, e para isso precisamos de uma referência. Comparar notas, beleza, de estética, até sucesso ou fracasso é comum, especialmente entre adolescentes, mas será que a referência usada é a correta?

Em algum momento da vida escolar você deve ter verificado suas notas em relação a dos seus amigos. Essa é clássica, não é? Mas vamos parar para refletir um pouco sobre medir desempenho.

Quando estamos comparando desempenho, seja escolar, estético, financeiro, ou qualquer outro, precisamos de indicadores que nos guiem como base de medida e, também, de um ponto de partida anterior que nos sirva como “régua”. Ao nos compararmos com outra pessoa, estamos usando como base um elemento completamente diferente, sobre o qual não temos controle algum. Sendo assim, a base de comparação é equivocada.

O “pulo do gato” é que, para sabermos com certeza se nosso desempenho está melhor ou pior, precisamos nos comparar conosco mesmo. Só assim teremos uma métrica controlável e compatível com a comparação de fato. Só assim é possível saber se as atitudes que tive para obter um resultado estão eficazes ou não.

Ao nos compararmos com os outros estamos, lá no fundo, sendo influenciados por alguma crença limitante interna. Se comparar com outras pessoas, é saber como é que você está em relação a elas. Sendo assim, você está precisando de uma referência externa para embasar o seu desempenho.

E é aí que começa a distorção, porque, como no caso das notas, o outro tem uma forma de aprender diferente, tem uma forma de assimilar o conteúdo diferente, passa por situações pessoais totalmente distintas da sua. Então os critérios de comparação nem se encaixam, não é?

Por isso que quando a gente compara uma nota, ou um desempenho qualquer, você está na verdade, competindo.

Você deve comparar seu desempenho com você mesmo. Porque esses são os critérios que vão fornecer o embasamento para que você, de fato, tenha uma comparação verdadeira. Com o seu modo de aprender com a sua forma de estudar com os seus problemas dentro da sua casa, com a forma como você pensa e reflete sobre as situações, como você enxerga o mundo porque isso sim interfere no seu desempenho. Esses são os critérios de comparação. Sobre os quais você pode atuar para melhorar.

Inclusive em relação ao outro (como numa competição esportiva, por exemplo). Porque o outro também pode estar fazendo um movimento de melhora.

Daí, no dia da prova que você estudou muito, estava indo super bem, participou das aulas, você teve aquela dor de barriga, aquela sensação de torção que você não consegue nem pensar. Não vai fazer uma prova boa, não é?

Em comparação, o outro que estava ali na “flauta”, fazendo esforço nenhum, está de boa porque já acha que repetiu de ano, não está preocupado. Esse aluno vai bem, pois está com a cabeça tranquila.

E aí? Cadê a comparação?

Não tem comparação.

Então vamos combinar: A partir de hoje, você vai fazer um favor para si mesmo e vai parar de querer se comparar com os amigos, você pode querer saber a nota do amigo. Claro que pode. Para quê? Para comemorar com eles, foi uma nota boa ou para ajudar ele, acolher ele, se ele tirou uma nota ruim. A partir de agora passe você a se comparar consigo mesmo. Se avaliar e entender a causa do seu resultado para poder performar da próxima vez.

Se hoje eu fui mal? Por que que eu fui mal? Pare. Pense, o que houve? O que que aconteceu que não deu certo? O que eu posso fazer de diferente para melhorar na próxima?

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