Estamos criando adultos infantis, onde fica a adolescência?

Como se sabe, adolescência é uma fase da nossa vida onde não somos nem crianças, nem adultos.

Somos adolescentes!

Trata-se de uma fase intermediária relativamente recente na sociedade, cujo conceito surgiu no século XIX, porém ainda pouco estudado e até pouco tempo ignorado, se pensarmos que no início do século XX – e até hoje em certas regiões do Brasil mais afastadas da vida urbana – jovens de 14, 15 anos se casavam, trabalhavam e tinham filhos.

Hoje, ao contrário do que ocorria naqueles tempos, observamos muitas vezes a infantilização do adolescente, ou a extensão da infância e jovens com 18 anos, atingem a maioridade ainda imaturos para assumir as responsabilidades da vida adulta.

Será que aquele indivíduo está preparado pra vida adulta e pra tomar todas as decisões da sua própria vida?

Teoricamente, mudou a chave lá no dia dos 17 anos, 365 dias, 23 horas e 59 segundos, e virou adulto, não é? É assim?

Então, a gente sabe que não é! Sabemos também que com 18 anos só somos adultos na certidão de nascimento, mas não na maturidade, na vivência, na sabedoria.

Espera-se que dali para a frente o jovem comece a ser adulto, mas por que dali pra trás ele também não pode começar a ser adulto?

Vamos esperar nossos filhos terem 18 anos para que eles virem independentes, para que eles tenham autonomia, e para que eles saibam fazer as coisas como se espera de um adulto?

Não dá para jogar nossos filhos na vida sem ensiná-los como é que é a vida.

E isso acontece demais. Especialmente aqueles pais superprotetores, que querem tornar a vida dos filhos mais fácil, muitas vezes porque tiveram vidas difíceis, tiveram infâncias e adolescências difíceis, e aí desejam tornar a vida mais fácil para seus filhos.

Mas será que isso é o ideal? Será que isso é bom para eles (filhos)? Ou será que vai torná-los adultos frágeis e despreparados?

Adultos que não sabem “se virar”, que não sabem sofrer uma consequência, ou uma frustração, que não aprenderam a lidar com essas situações, com o inesperado, com o imprevisto…com o infortúnio.

Vamos começar a usar o período da adolescência para treinar nossos filhos na vida adulta, sem infantilizá-los, e sem esperar deles atitudes adultas. Vamos esperar que eles adolesçam, ou seja, transponham da infância para a maturidade com leveza, com orientação, com compreensão!

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